Peixes - As plantas
As plantas I
Contribuindo para manter um certo equilíbrio no aquário, as plantas servem de refúgio para os peixes mais tímidos, de suporte para a desova e de alimento para alguns peixes.
Um crescimento são e luxuriante das plantas é um óptimo meio de evitar a proliferação das indesejáveis algas, entrando em concorrência alimentar directa com estas. Os detritos orgânicos de origem animal e vegetal, depois de transformados em matéria inorgânica, são assimilados pelas plantas. As plantas seleccionadas devem ser plantadas em quantidades suficientes de modo a exercer uma influência real no ecossistema em que estão inseridas.
É fundamental ter em atenção a proveniência geográfica das plantas: a temperatura, a luz e a qualidade da água não são as mesmas.
As duas fases da plantação:
Primeiro, as plantas de crescimento rápido: É necessário, após a instalação do aquário, escolher plantas de crescimento rápido, reservando para mais tarde, quando o aquário já tiver a "rodagem" feita, as plantas de crescimento lento. As plantas de crescimento rápido vão contrariar, desde o início da montagem do aquário, o crescimento das tão indesejáveis algas. É frequente recorrer-se também a plantas flutuantes para combater o aparecimento de algas, obtendo-se uma luz difusa, benéfica para certas espécies de peixes tais como os discos. Para evitar que as plantas mais altas recubram as plantas mais pequenas, sufocando-as por falta de luz, é necessário que se intervenha frequentemente, efectuando-se um verdadeiro trabalho de jardinagem. Mais tarde, as plantas de crescimento lento Para estas plantas, o trabalho de jardinagem é praticamente nulo. O seu lento crescimento apenas exige que se corrija a plantação já existente, de modo a garantir que o seu desenvolvimento não seja afectado. O aquário adquire assim, passado algumas semanas, a sua forma definitiva. Algumas operações de rotina contribuirão para manter, no aquário, uma vegetação luxuriante.
Preparar a plantação: É importante definir zonas de plantação em função das necessidades de iluminação dos diferentes grupos de plantas. Antes de empreender a plantação, deve-se ter em atenção a espessura do solo. O enraizamento de certas plantas pode necessitar, em certas zonas, de uma espessura de 10 cm de areia.
Escolher as plantas: As plantas recomendadas aos principiantes são aquelas que crescem rapidamente, sem necessitarem de uma forte iluminação ou de fertilizante. As plantas de caule comprido, tais como as Limnophilas, as Higrophylas e as Bacopas são ideais para começar. As plantas com rizoma, tais como as Aponogeton e as Nymphoides crescem rapidamente. As Sagitárias e as Vallisnérias são muito robustas. As Microsorium, Bolbitis e a Vesicularia dubyana (musgo de Java) devem ser fixadas ou entaladas no solo. As Anúbias, plantas que aceitam uma iluminação média, necessitam de um solo enriquecido (ver próximo artigo). Mais tarde, podem-se experimentar espécies mais exigentes tais como: Cryptocorynes, Echinodorus, Ceratopteris e Rotalas. Contrariamente ao que se pensa, as Cabombas não são plantas para principiantes. Só se desenvolvem perante uma iluminação intensa.
A plantação: As plantas devem ser cuidadosamente inspeccionadas antes de serem introduzidas no aquário, de modo a podermos eliminar o excesso de caracóis e outros animais nocivos às plantas ou aos peixes. As folhas murchas devem ser retiradas. As raízes demasiado compridas devem ser cortadas, evitando-se que apodreçam e alterem o equilíbrio do aquário. As plantas, plantadas por estaca, são enterradas cortando o caule pouco abaixo dum nó e retiradas as folhas que eventualmente possam ser enterradas juntamente com esse nó. Os rizomas apodrecem quando demasiado enterrados no solo. O apodrecimento dum rizoma é fácil de constatar através do seu escurecimento e da perda de consistência.
As Plantas - II Os vegetais são indispensáveis aos seres vivos: produzem oxigénio e estão na base da cadeia alimentar. As substâncias minerais, os adubos e os sais minerais provenientes da decomposição da matéria orgânica são utilizados pelas plantas.
O crescimento das plantas efectua-se graças à fotossíntese: sob o efeito da luz, as plantas absorvem o dióxido de carbono - CO2 e libertam o oxigénio - O2. No aquário, esta reacção química deve desencadear-se nas melhores condições possíveis dado que as trocas gasosas vão desempenhar um papel fundamental no bom funcionamento do aquário. A grande variedade de plantas aquáticas disponíveis nas melhores lojas de aquariofilia permitem recriar em casa aquários endémicos das diferentes regiões tropicais. A vegetação densa, por exemplo, é utilizada em aquários com fauna e flora sul-americana. A vegetação localizada, juntamente com uma decoração rochosa abundante é usada em aquários característicos dos grandes lagos africanos - lagos Malawi, Tanganyika e Vitória.
Para que as plantas se possam desenvolver no aquário da melhor forma possível e preencher assim as suas funções, convém ter em conta três parâmetros fundamentais:
- A luz.
- O solo do aquário e as substâncias nutritivas.
- Os fertilizantes.
A luz: As plantas tropicais recebem no seu meio natural uma iluminação quotidiana de 12 a 13 horas. Este período deve ser aproximadamente o mesmo no aquário e efectuado continuamente. A iluminação é geralmente assegurada por lâmpadas fluorescentes do tipo hortícola. A potência não deve ser inferior a 1 watt por cada 3 litros de água. Para plantas que necessitem de muita luz, deve-se prever 1 watt por cada 2 litros de água. Recentemente começaram a utilizar-se lâmpadas de iodetos metálicos - HQI na iluminação de aquários de grandes dimensões. Estas lâmpadas são muito eficientes, permitindo o crescimento correcto das plantas. Possuem um espectro que se assemelha bastante ao espectro solar.
O solo do aquário e as substâncias nutritivas: As plantas aquáticas absorvem os sais minerais dissolvidos na água através das folhas, do caule e das raízes. O excesso de comida que os peixes não consomem transforma-se em matéria orgânica e posteriormente em sais minerais, indispensáveis para o crescimento das plantas. No entanto, algumas plantas só se desenvolvem se o solo do aquário estiver enriquecido com matéria orgânica. O solo do aquário pode ser apenas constituído por areia - solo estéril que, apesar de se encontrar enriquecido com os detritos orgânicos provenientes da fauna e da flora existentes no aquário, não é suficiente para se obter a tão desejada vegetação luxuriante. Uma mistura constituída por 40 % de areia com uma granulometria compreendida entre 2 a 4 mm, 30 % de terra vegetal, 15 % de turfa, 10 % de argila e 5 % de calcário constitui um solo nutritivo cuja utilização por parte de alguns aquariofilistas mais esclarecidos tem dado óptimos resultados, bastando adicionar regularmente à água do aquário uma solução de percloreto de ferro a 10% e uma solução aquosa de 10 por mil de E.D.T.A (10ml por cada 100 ls de água de cada um destes produtos). É de referir que o calcário é fundamental para o crescimento das plantas e que com esta percentagem não se altera a qualidade da água nem o seu pH. Esta mistura, cuja espessura pode atingir, em certas zonas do aquário, os 6 cm, deve ser recoberta com uma camada de areia de 4 cm de espessura. Deve-se compactar ligeiramente o solo enriquecido de modo a evitar a formação de bolsas de ar que podem provocar fenómenos de putrefacção. A utilização da placa de fundo deixou de se utilizar em aquariofilia: experiências efectuadas estes últimos anos vieram demonstrar que a sua colmatação provoca o desenvolvimento de bactérias nocivas ao frágil equilíbrio existente no aquário. Com a utilização da placa de fundo, o solo sofre o efeito de lavagem dos seus nutrientes, esgotando-se rapidamente as suas substâncias nutritivas.
Os fertilizantes: A instalação de um solo no aquário constituído apenas por areia necessita de fertilizantes. É conveniente juntar regularmente à água do aquário, adubo líquido utilizado exclusivamente em aquariofilia. Um comprimido fertilizante enterrado junto das raízes das plantas, na fase inicial da plantação, permite um crescimento mais harmonioso destas.
O aquário holandês: Trata-se de uma concepção interessante do ponto de vista da vegetação, não sendo no entanto a única forma de se obter um aquário plantado com sucesso. É, na realidade, a melhor forma de chamar a atenção para o aquário, dentro de uma habitação. As plantas são o elemento principal deste tipo de aquário, estando aos peixes relegados para segundo plano e tendo como único objectivo criar movimento no aquário. A filtragem do aquário é feita com um filtro exterior cujo débito horário máximo corresponde a metade da capacidade total do aquário: um aquário de 200 litros requer um filtro com um caudal de 100 l/h. A difusão de dióxido de carbono é por vezes utilizada, em doses adequadas, como forma de obter um bom crescimento das plantas. Os difusores de ar devem ser banidos. O oxigénio produzido pelas plantas é suficiente para a respiração dos peixes. O solo do aquário holandês é também enriquecido com uma mistura nutritiva.
Texto: José Filipe






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